Em alusão ao Junho Violeta, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa, a Câmara Municipal de Cuiabá recebeu, na manhã desta quarta-feira (10), integrantes do Grupo de Idosos do Jardim Florianópolis (Giflor) para participar do projeto “Cuiabaninhos na Câmara”.
A atividade proporcionou aos participantes uma visita guiada pelas dependências da Casa de Leis, promovendo conhecimento sobre o funcionamento do Poder Legislativo e fortalecendo o exercício da cidadania. Durante o percurso, os idosos conheceram o Marco do Centro Geodésico da América do Sul, localizado em frente ao Parlamento municipal, o Plenário das Deliberações, a Procuradoria Especial da Mulher e o Auditório Ana Maria do Couto, conhecido como Plenarinho.
Além da visita institucional, os participantes receberam orientações sobre os direitos da pessoa idosa e os mecanismos de proteção disponíveis para combater diferentes formas de violência, tema que ganha ainda mais destaque durante a campanha Junho Violeta.
O alerta do Junho Violeta ocorre em meio a um cenário preocupante. Dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que, entre janeiro de 2024 e abril de 2026, o Disque 100 registrou mais de 435 mil denúncias relacionadas a violações de direitos de pessoas idosas em todo o país. O número reforça a importância de ações de conscientização e informação que auxiliem na prevenção, identificação e combate aos diversos tipos de violência enfrentados por essa parcela da população.
A psicóloga da Procuradoria Especial da Mulher, Katiliani Dourado, ressaltou a importância de fortalecer o conhecimento da população idosa sobre seus direitos.
“Essa é uma oportunidade fundamental para refletirmos sobre o respeito, a dignidade e a proteção que esses idosos merecem. Eu, como psicóloga, ressalto que orientar a população idosa vai muito além de informar sobre seus direitos. É também fortalecer sua autonomia, autoestima e capacidade de reconhecer situações de violência que podem ocorrer de diversas formas: física, psicológica, financeira, patrimonial, negligência e abandono”, afirmou.
Um dos apoiadores da iniciativa, o vereador Sargento Joelson (Podemos), destacou a relevância da participação do grupo na atividade e a importância de aproximar a população do Legislativo municipal.
“Esse grupo de idosos se encontra três vezes na semana para fazer atividade física lá no Jardim Florianópolis e a gente faz todo esse trabalho de auxílio. Deveria ser uma obrigação da população como um todo realmente conhecer o Legislativo da sua cidade, que são os seus representantes diretos”, afirmou o parlamentar.
A coordenadora da Escola do Legislativo, Amanda Fares, destacou a importância de receber o grupo durante o mês de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa e promover momentos de orientação e acolhimento.
“Nós convidamos o grupo Giflor, do Jardim Florianópolis, para vir à Câmara conhecer o papel dos vereadores e também entender como a instituição pode ajudá-los. Convidei a Procuradoria Especial da Mulher, cuja equipe esteve aqui orientando mulheres e homens sobre os serviços oferecidos pela Câmara, além do procurador-geral Eustáquio Neto, que falou especificamente sobre a violência contra a pessoa idosa, especialmente a violência financeira.”
A coordenadora do grupo, Zeni Araújo, também celebrou a oportunidade de participar da ação e destacou a relevância das informações recebidas durante a visita.
“Nós estamos muito felizes com a oportunidade. Eu mesma fiquei bastante feliz em ouvir e ter essa parceria com a Procuradoria aqui da Câmara Municipal. Nós somos gratos”, afirmou.
Encerrando a programação, o procurador-geral da Câmara Municipal, Eustáquio Neto, ministrou uma palestra voltada à conscientização dos participantes sobre os principais tipos de violência praticados contra a pessoa idosa. Durante a apresentação, ele alertou para situações que muitas vezes passam despercebidas pelas vítimas, especialmente os casos de violência patrimonial e psicológica. Segundo ele, o acesso à informação é uma das principais ferramentas de proteção da população idosa, pois permite reconhecer sinais de abuso e buscar ajuda antes que os danos se agravem.
“A informação pode ajudar esses idosos a identificarem quando eles estão numa situação de violência, seja uma violência psicológica, uma violência patrimonial, que muitas vezes passa despercebida, dentre outros tipos de violência, para que eles possam identificar, se proteger e acionar as instituições de defesa”, afirmou.