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14/07/2016
Policiais e comunidade se reúnem na Câmara de Cuiabá para debater as bases comunitárias de policiamento
Luciana Oliveira Pereira - Secom CMC
Audiência pública para discutir a situação das bases comunitárias de polícia
A audiência pública realizada para discutir a situação atual das bases comunitárias de policiamento, que hoje tem número de efetivos reduzido e estrutura diminuída, foi requerida pelo vereador Marcrean Santos (PRTB) que buscava debater se a filosofia de aproximação da polícia com a comunidade estava sendo mantida e, o motivo dos altos índices de violência nos bairros. Cuiabá está configurada como a 22ª cidade mais violenta do mundo.

Com a audiência o vereador Marcrean reunir a população com os setores envolvidos com a segurança, para buscar esclarecer o papel atual das companhias de policiamento e tentar promover uma aproximação, chamando a atenção da sociedade para a necessidade da melhoria da estrutura e do aumento no efetivo destes equipamentos, já que os números da violência só crescem.

Segundo o vereador, através de dados da própria polícia militar, o número de efetivos nas 18 companhias de policiamento comunitário da Capital foi reduzido a praticamente a metade, além do número de viaturas e, hoje há a ausência das motos e bicicletas que compunham a estrutura inicial. “Quando as companhias foram criadas, era uma média de 40 homens atendendo a comunidade, hoje ao invés de progressão, vemos a regressão disto, pois as companhias trabalham com uma média de 25 homens, quando não com menos”, desabafa.

O Cel. Jorge Luis, comandante do 1° Batalhão de Cuiabá, afirma que o número de efetivos não acompanhou a evolução populacional. “O grande problema nosso é que toda nossa capacidade operacional está baixa, em todos os sentidos. Hoje temos uma realidade totalmente diferente de quando as companhias foram criadas, ampliaram os bairros e não houve agregação de efetivos”.

Segundo o coronel a essência da polícia comunitária não se perdeu. “Orientamos que busquem a aproximação com as lideranças comunitárias, pois são eles que sabem as demandas da comunidade. Mas sinto hoje aqui a ausência da Policia Judiciária Civil, do Ministério Publico e do Judiciário, dos secretários de Saúde e Educação, pois a policia tem se esforçado mesmo com as dificuldades estruturais e, a questão da violência é muito complexa, envolvendo todos estes entes”.

O coronel lembrou que apesar da polícia estar na linha de frente ao crime, o problema da segurança pública é complexo e passa pela discussão da evasão escolar, crise econômica, desemprego, das atuais audiências de custódia, que dependendo do crime praticado, podem liberar o preso em flagrante, em 24 horas, “tudo isso impacta e dificulta muito que se reduza os índices de violência dentro dos bairros”, explica o comandante.

O representante do Conseg do CPA IV, João Viana, trouxe a realidade que a sua comunidade vêm enfrentando. “Na Grande Morada da Serra até temos policiais, mas hoje os comerciantes estão fechando suas portas, estão havendo arrastões dentro dos ônibus, o problema é o aumento da bandidagem, pois cresceu o número de moradores de rua, que estão entrando para o crime. É preciso haver uma cooperação de todos, policiais civis, delegados, no sentido de melhorar a situação.

Dayane Thais C. Soares, de 24 anos, moradora do Dr Fábio I, usou a palavra para questionar a situação dentro dos bairros periféricos, como o dela. “Perdi muitos amigos no crime, sou uma exceção dentro da minha realidade, pois tive formação familiar e frequento a universidade. No meu bairro não tem nenhum projeto social, o setor público não cria opção ou escolha para a população. É fácil apontar e dizer que aquele é um bandido, mas qual escolha ou oportunidade foi dada a ele para que esteja naquela situação, questiona.

Walter Arruda, que preside a FEMAB – Federação das Associações de Bairros de Mato Grosso, representanto cerca de 240 associações somente na Capital, parabenizou a iniciativa de Marcrean, pois segundo ele, há muito tempo as lideranças comunitárias não se reúnem para discutir segurança pública. “A platéia que está aqui tem a missão de cobrar das autoridades para que possamos ter uma política social voltada para as comunidades, para que tenhamos estrutura e a polícia possa estar efetivamente voltada para o bem estar dos cidadãos. Muito do que reivindicamos tem que ter vontade política para resolver, nós que estamos na ponta, a situação já está de urgência”, afirmou.

O secretário de Odem Pública de Cuiabá, cel. Eduardo Henrique de Souza, falou sobre os trabalhos que o município está realizando para tentar contribuir com a questão da segurança, já que a competência é do Estado. “Estamos nos atendo à melhoria de todos os serviços públicos, como saúde e educação, pois tudo funcionando, contribuímos com a segurança pública. Temos assistido as famílias com crianças em situação vulnerável. Temos pago policiais em horário de folga, para fazerem rondas em pontos com maior fluxo de pessoas, através de um convênio com a polícia militar. Outra ação é junto aos dependentes químicos, já encaminhamos 130 deles para comunidades terapêuticas. Estamos fazendo capacitações e trabalhando a assistência social”, detalha o secretário.

O vereador Marcrean ressaltou que na condição de representante da população, sabe dos esforços da policia militar, mas não pode deixar passar desapercebido o clamor da população. “Sabemos que a segurança é um conjunto de ações e depende de muitos fatores, mas hoje nosso foco são as companhias comunitárias. Os policiais são heróis, mas o número é insuficiente para a demanda”, desabafou.

Rhaygino Setúbal, secretário Adjunto de Estado de Integração Operacional afirmou que foi uma série de ações ou omissões que levaram à atual situação nas companhias. Somos sofredores também nessa situação. Estamos na secretaria fazendo o máximo para tentar reverter isso”, alega.

Segundo Setúbal o Estado deve fechar o ano com mais de 8 mil policiais. “Teremos se todos se formarem, mais 1330 policiais militares em operação, mas esta reposição não foi feita durante os governos passados, temos uma média de 200 a 250 policiais se aposentando por ano”. Contudo, o secretário adjunto se comprometeu a levar as demandas para o Palácio Paiaguás.“Nós vamos levar essas demandas e agregar esforços. Haverá sim uma reposição nas bases, mas ainda estamos apenas repondo policiais, pois não foram cumpridas leis para isto e hoje estamos em déficit”.

O vereador solicitou ao representante da Secretaria de Segurança Pública um fortalecimento das companhias. “Queremos que se aumente o número de efetivos nas companhias, além disto, queremos que os tenentes, que hoje são maioria no comando das companhias, realmente possam ter autonomia e permaneçam nas mesmas, de fato, para que haja uma aproximação com a comunidade”, defendeu Marcrean. 

Mais de 70 pessoas estiveram presentes ao evento, que foi composta por moradores dos bairros, lideranças, representantes dos conselhos de segurança dos bairros (Conseg), além de comandantes de bases comunitárias, representantes da policia militar e das secretarias de Estado de Segurança Pública e municipais de Ordem Pública e Assistência Social.


Luciana Oliveira Pereira – Secom CMC



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